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domingo, 12 de fevereiro de 2012


Seguir à Deus pode acabar mau!


Quem passa os olhos por esta frase pode estranhar muito e outros podem ficar curiosos com o tema. Inclusive já fui criticado por alguns que acham a frase uma ofensa, portanto peço que, para podermos chegar mais perto das verdades bíblicas, devemos nos desfazer de pré-julgamentos e buscar compreender o que ela quer dizer de fato.

Esta frase é a ideia principal desse post que veio de uma pregação de um pastor norte-americano chamado Matt Chandler, que fez em 2008, na “Conference in Gwinnett”, numa cidade perto de Atlanta e creio que seu ponto de vista deve ser compartilhado, com pequenos acréscimos pessoais.

Vivemos em uma sociedade conhecida pelo consumismo. Isto não é novidade, todavia poucos lembram que o consumismo traz consigo um pilar muito forte, que é o da prosperidade, que nada mais é que o lucro. Contudo, antes de chegarmos à ideia central, será crucial compreender o significado da palavra prosperidade e lucro. O lucro é um substantivo masculino que significa “ganho substancial, benefício, utilidade ou vantagem”, enquanto prosperidade é um substantivo feminino que deriva do adjetivo próspero, que significa “aquele ou aquilo que se desenvolveu bem, que foi favorecido ou que tem riquezas ou bens materiais”.
Não é de se impressionar que muitas igrejas trazem o discurso do lucro e da prosperidade, sendo que muitos conhecem aqueles “pastores” que declaram que a fé trará grandes bênçãos materiais, como carros ou muito dinheiro. Contudo, dentro de nossas igrejas vemos algo semelhante. Quando buscamos a Deus com petições voltadas a bens, sejam eles materiais ou não, podemos estar com nossos olhos apenas no benefício e não em Deus. Vejamos o exemplo de João Batista.

O próprio Jesus Cristo declara em Lucas 7.28: “entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João”. Podemos compreender um pouco como Deus estimava João. No mesmo capítulo, em alguns versos anteriores, encontramos uma verdade tremenda de Deus. No verso 19, alguns discípulos de João são enviados por ele para perguntar a Jesus se ele era o Messias. Ele mesmo não foi, pois estava preso, como pode ser constatado em Lucas 3.20. No verso 22 Jesus diz: “Voltem e anunciem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos veem, os aleijados andam; os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres...”. Porém o que essa resposta quer dizer? A resposta é muito maior do que aparenta. Essas palavras foram ditas pelo profeta Isaías quando revelava o que deveria acontecer quando o Messias chegasse. Todavia Jesus não citou a última parte, em que dizia que os prisioneiros serão livres! Ele deixou esta parte de fora por um propósito, o de demonstrar para João Batista que ele não seria solto e acabaria perdendo a cabeça, como é relatado em Mateus 14.1-12.
Jesus Cristo, o próprio Deus, declarou o quão grande era João Batista e seu fim foi ser decapitado por sua obediência. Seria possível imaginar essa notícia chegando para João e ele pensando: “Puxa vida, eu não tinha em mente esse plano para minha vida! Achei que teria uma boa vida e tudo acabaria bem, que eu poderia morar na praia e escrever uns livros para poder aproveitar minha aposentadoria... Não achei que esse seria o meu fim, o de perder a cabeça por ser obediente...”. Frente a tudo isso fica a pergunta: Quantas vezes você escutou um pregador dizer que seguir a Deus poderia acabar mal?

Tantos outros personagens bíblicos poderiam ser citados aqui, porém o que consegue resumir essa verdade de maneira pura e simples é Paulo, quando diz: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo” (Filipenses 3.7) e “os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.” (I Timóteo 6.9-10). Muitos parecem esquecer as palavras do profeta Jeremias, que vem para embasar o pensamento de Paulo, que diz que o coração é mais enganoso que qualquer outra coisa, que ninguém pode compreendê-lo (Jeremias 17.9) e que é por isso que nos devemos buscar a Deus sempre que tivermos que fazer decisões, pois vivemos no engano, enquanto Deus não.

Assim diz o Senhor: ‘Maldito é o homem que confia nos homens (ou em seu conhecimento, sentimento, lógica e tantos outros), que faz da humanidade mortal a sua força (ou esperança ou bússola moral), mas cujo coração se afasta do Senhor. Mas bendito é o homem que cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está.” (Jeremias 17.5,7). “Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado, para que, no tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus desejos humanos, mas sim para fazer a vontade de Deus.” (I Pedro 4.1-2).







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